Pelo caminho, e segurando uma faixa onde se lia «Avançar é preciso! Direitos, Desenvolvimento, Soberania», tiveram a companhia ruidosa de muitas centenas de activistas e apoiantes da coligação PCP-PEV, que assim quiseram marcar a passagem pela Invicta do Secretário-geral do PCP e do primeiro candidato às eleições para o Parlamento Europeu (PE).
Jerónimo de Sousa não perdeu tempo a dizer ao que ia. «Quantas vezes é que aqui viemos, 40, 50 vezes?», perguntou. «Há uma coisa que qualquer residente ou participante nestas iniciativas pode afirmar: é que a CDU, o que disse na Rua Santa Catarina, também o disse na Assembleia da República e no Parlamento Europeu». Calorosamente aplaudido, continuou, agora carregando sobre umas tais «divergências» que se teriam levantado entre o PS e a direita, que sabem «juntar os trapinhos contra os interesses nacionais», como se assistiu no caso do aumento dos vencimentos dos deputados no PE.
O Secretário-geral do PCP chamou ainda a atenção para a natureza do PS, que na verdade em nada mudou. Mudaram, sim, as «circunstâncias e a relação de forças existente na Assembleia da República». É, portanto, dos «compromissos que assumiu à esquerda» que o PS se procura libertar, para tentar «alcançar a maioria absoluta» nas próximas eleições legislativas. Para Jerónimo de Sousa, o nosso povo «sabe bem o que constituíram as maiorias absolutas do PS», citando o «retrocesso social» e a «aceitação das imposições da UE», para não ir mais longe.
E há só uma maneira para evitar a concretização dessa maioria absoluta almejada pelo PS: o «reforço da CDU». O Secretário-geral do PCP desfez também um equívoco que a direita não perde uma oportunidade de propalar, embora saiba da sua falsidade. «Dizem que temos uma visão fechada, nacionalista. Nada disso. A CDU luta é por outra Europa», frisou.
Há quem queira menorizar os avanços
Por sua vez, João Ferreira colocou também uma questão que interessa de sobremaneira, nomeadamente, à gente do norte: «Quem tem medo da regionalização?» Ao mesmo tempo, acusou o PS e o PSD de terem assinado um «tratado de Tordesilhas anti-regiões».
O candidato sublinhou que a CDU foi a única força política portuguesa com assento no PE a rejeitar o novo estatuto dos deputados, que vêem assim aumentados acentuadamente os seus vencimentos. E explicou, com a clareza que o caracteriza: «Se um trabalhador português não recebe o mesmo que um alemão, seja operário, médico ou professor, também os deputados no Parlamento Europeu devem ter por referência os salários em Portugal e não noutros países».
Entretanto, a deputada Diana Ferreira acusou os que querem menorizar o que se alcançou, nos últimos tempos, por via parlamentar e da luta de massas. Entre essas conquistas realçou a reposição dos salários, o aumento extraordinário das pensões em três anos consecutivos, a distribuição gratuita de manuais escolares no ensino obrigatório, o desagravamento da carga fiscal sobre os trabalhadores e a implementação do passe único, «medida de extraordinário alcance social pela qual o PCP batalhou 20 anos».