Ir para o topo
Parido Comunista Português

Intervenção de Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP

Para travar a política de direita só há um caminho possível: a alternativa que a CDU propõe aos trabalhadores e ao povo do distrito de Portalegre e ao País

Almoço-Comício em Benavila, Avis

Camaradas e amigos,

Uma grande saudação a todos vós, a todos os que estão presentes neste grande almoço, nesta grande iniciativa da CDU, neste caminho que temos até ao próximo dia 10 de Março.

Estas eleições são uma enorme oportunidade que não pode ser desperdiçada para alterar a correlação de forças na Assembleia da República. Uma oportunidade que não pode ser desperdiçada para reforçar a CDU, uma oportunidade para reforçar a luta pela vida melhor a que temos direito. 

Uma oportunidade para todos os que justamente se sentem indignados com o estado a que chegaram o País e a região, poderem demonstrar com o seu voto na CDU, o seu protesto mas também as soluções que se impõem.

Cada voto na CDU é um compromisso, é uma vontade de romper com a política de direita e abrir caminho à política patriótica e de esquerda que com a CDU, só com a CDU, e nunca contra a CDU pode ser concretizada.

Temos visto, ouvido e lido muita coisa, não temos ilusões, até dia 10 de Março não haverá nenhuma sondagem que nos dê a crescer. Mas eles sabem, e nós sabemos, que é o povo no próximo dia 10 que vai decidir. 

Eles sabem bem que a CDU, cada um de nós no contacto, no esclarecimento e na mobilização para o voto, está a construir por baixo o resultado que eles nos querem roubar por cima. 

A CDU vai crescer, vamos estar em melhores condições no dia 11 de dar mais força à luta para impor a mudança que é precisa; para travar os objectivos de retrocesso que a direita quer impor e para obrigar o PS a vir às necessárias e justas soluções. 

Para travar a política de direita, só há um voto possível, só há um caminho possível: a alternativa que a CDU propõe aos trabalhadores e ao povo deste Distrito de Portalegre e ao País. 

Abril não combina com política de direita por mais que a tentem vender de esquerda.

Sabemos bem que não é nenhuma fatalidade que o Distrito de Portalegre continue a perder 13 500 habitantes como aconteceu nos últimos 10 anos, ou que tenha apenas 44 mil pessoas em idade activa. 

É importante deixar bem claro que a desertificação e o défice demográfico não são inevitáveis. São o resultado inevitável das opções políticas de sucessivos governos que abandonaram o interior, que entregaram a agricultura aos grandes agrários e à PAC da União Europeia; que destruíram a indústria para agora passarem a vida a falar de reindustrialização; que sufocam os serviços públicos, desde logo o SNS; que fecharam escolas, maternidades, postos da GNR, estações de correios, balcões da Caixa Geral de Depósitos; que roubaram as freguesias ao povo; que mantêm as portagens e recusam o investimento nas estradas e nos caminhos de ferro; que destruíram a Rodoviária Nacional e deixaram as populações completamente isoladas; que impõem a emigração ou a ida para o litoral como caminho para a juventude. 

E é, no mínimo, insultuoso que depois de todas estas opções e malfeitorias venham em tempo de campanha eleitoral chorar lágrimas de crocodilo pela desertificação do interior. 

É preciso castigar nas urnas quem prometeu e não cumpriu, quem foi eleito aqui mas em Lisboa votou contra a região; e é preciso confiar o voto de cada um àqueles que dizem o que fazem e fazem o que dizem. 

É hora do povo de Portalegre dar mais força à CDU!

Não vale a pena virem com o argumento de que há poucas pessoas para justificar o encerramento de serviços públicos. Não, o que é preciso é acabar com esta “pescadinha de rabo na boca” e, de uma vez por todas, investir nos serviços públicos para atrair população, esta é que é a solução. 

Que se aumentem os salários e as pensões, para repor o poder de compra e melhorar a qualidade de vida de quem trabalha e de quem trabalhou. 

Não é admissível que, perante os excedentes orçamentais e os lucros cada vez mais colossais de meia dúzia de famílias, aumentem as dificuldades para a grande parte do povo e dos trabalhadores. Ninguém tenha dúvidas, há dinheiro, há muito dinheiro para aumentar os salários e as pensões. O que é preciso é decidir se o País continua a assegurar rendas, lucros e dividendos ao capital, ou se rompe com este escândalo e entrega aos trabalhadores uma parte maior da riqueza que criaram. 

É também esta opção que vai a votos no próximo dia 10 de Março!

Falam em contas certas, mas a vida de cada um está cada vez mais incerta. As contas certas do PS são o desinvestimento nos serviços públicos e nos seus trabalhadores, são o mês que nunca mais acaba, são o aumento assustador dos níveis de pobreza.

Que se defendam e reforcem os serviços públicos, ao invés de se desinvestir e privatizar. Os serviços públicos e os sectores estratégicos têm de ser postos ao serviço do Povo, geridos a bem do povo, e não conforme a vontade dos grupos económicos e dos seus accionistas que delapidam os recursos públicos para aumentarem os seus lucros.

Que se invista de facto no Serviço Nacional de Saúde, em vez de se continuar a transferir praticamente metade do seu orçamento para o negócio da doença. É urgente a fixação de médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes operacionais; é urgente a concretização das obras de melhoramento e alargamento do Hospital José Maria Grande em Portalegre, e a construção do Hospital Central do Alentejo. É hora de garantir a todos o direito à saúde.

É hora de avançar decididamente no reforço da rede de cuidados continuados e com a construção de uma rede pública de lares.

Que se invista de facto na Educação e na Escola Pública, que se respeitem e valorizem os seus profissionais. Exige-se a recuperação de todo o tempo de serviço dos professores e dar respostas à sua luta. É preciso acabar com o flagelo da precariedade. 

É agora que temos de avançar, de uma vez por todas, na Ferrovia. E é hora, de uma vez por todas, de acabar com a cantiga de que não há dinheiro. 

Não se trata de falta de dinheiro. Trata-se de opções e vontade política. Trata-se de fazer a opção entre a submissão às imposições da UE e os interesses do Povo e do País. E com a CDU não faltarão essas opções e essa vontade.

A CDU não faltará, como nunca faltou, às respostas que são precisas. Aqui não há cheques em branco, aqui não se alimentam ilusões, aqui há compromissos, palavra e garantias claras. Assim outros digam se é nisto que querem convergir, assim outros possam ser tão claros quanto ao que é preciso fazer. 

Se estão de acordo que é preciso aumentar salários e pensões; acabar com a precariedade; salvar o Serviço Nacional de Saúde; garantir o direito à Habitação; defender a escola pública e os serviços públicos; se querem pôr o País a andar para frente; se estão contra a guerra e pela paz; então é aqui, com a CDU, que têm de estar.

A tragédia da guerra continua a ensombrar os nossos dias e de forma dramática na Ucrânia e na Palestina.

Hoje é mais um dia triste para os amantes da paz, mais um dia triste para os que querem a resolução política dos conflitos, mais um dia triste para os familiares e amigos dos milhares e milhares de vítimas da guerra.

Mas, ao contrário, hoje é mais um dia bom para o cinismo e para a hipocrisia, mais um dia para o negócio da guerra, para os lucros das empresas do armamento.

E este dia triste para a humanidade é também o dia de confrontar os defensores da guerra, os que acham que a solução é mais armas, mais bombas, mais mortes.
É o dia de questionar os que defendem mais dinheiro para a NATO, os que acham que se deve gastar 2% do PIB para a guerra, mas se recusam a valorizar os militares das nossas Forças Armadas, e a investir 1% na Cultura ou na Habitação.
Este é o dia de afirmar o caminho da Paz, o caminho da resolução política dos conflitos, de afirmar que as forças do progresso vão ser capazes de travar o ódio e a barbárie.

A guerra não é saída, nem na Ucrânia, nem na Palestina.

A procura da paz não exige, nem pressupõe rendições, mas sim negociações e uma solução política. É a história que o diz.

A razão está do lado de quem apela à negociação e ao fim da guerra!

Está nas mãos dos povos forçar esse caminho. É mais que hora de acabar com o massacre de vidas humanas na Ucrânia. É preciso acabar com a guerra e a política de genocídio em curso na Palestina.

Os perigos que se colocam com esta escalada, com a corrida aos armamentos que está em curso, são demasiados. Os lucros dos fabricantes de armas não se podem sobrepor aos povos.  

Aqui na CDU, por maior que seja a chantagem, não nos desviam, nem nos vão desviar de exigir que se construa a Paz!

O País e o povo do Distrito de Portalegre não estão condenados a ter de escolher entre o PS e o PSD. 

Não estamos condenados a voltar aos tempos sombrios da Troika nem aos cortes nas pensões, nos salários e nos direitos; nem estamos condenados às opções do PS que, nas questões que são centrais para dar resposta aos problemas, se alinha com as opções da direita. 

Quantos mais votos forem dados ao PS, mais à direita o PS governa. Se dúvidas houvesse, aí está a maioria absoluta a comprovar. É a força da CDU que cria condições para a vida das pessoas avançar. 

É isso que interessa a cada um: saber com quem contam para dar solução aos seus problemas. 

A CDU está a crescer, a CDU vai mesmo crescer. Nenhum voto na CDU é um voto desperdiçado; cada voto na CDU representa vontade de mudar de política e a disponibilidade para ser parte dessa mudança.

E caros camaradas e amigos, nada impede que a CDU tenha aqui em Portalegre uma expressiva votação. Há alguma lei que o proíba? 

O Boletim de voto, no dia 10 de Março, que cada um vai receber, não tem só 2 ou 3 quadrados. Estará lá, também, o quadrado com a foice e o martelo e o girassol ao lado.

É nesse quadrado que o trabalhador, o utente, os que estão aflitos com as prestações e rendas das casas, os micro, pequenos e médios empresários, os agricultores, os reformados, os jovens, dos imigrantes, devem depositar o seu voto e a sua força. Porque é nesse quadrado que não vão cair os votos dos donos da GALP, Pingo Doce, CTT, da EDP ou da Altice.

Vamos à conversa, vamos ao contacto, vamos conquistar, voto a voto, um grande resultado para a CDU.

Há cada vez mais gente que percebe que é aqui que está o trabalho, o povo, o ambiente, a vida melhor a que temos direito; é nesse quadrado que está a força que não desiste do País e que sabe há recursos e meios, que sabe que há gente séria e honesta com vontade e força de travar os que se acham donos disto tudo e pôr o País no trilho que marca a nossa história, no trilho dos valores de Abril. 
E nesse trilho, nesse processo, nessa construção, como sempre, é o povo quem mais ordena.

Viva a CDU!

Partilha