Intervenção de Heloísa Apolónia, membro da Comissão Executiva do PEV, Lisboa
A CDU é a confirmação da capacidade de união de esforços e de convergência da verdadeira esquerda
Artigos Relacionados
Acto Público da CDU – Coligação Democrática Unitária, Lisboa
Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP
Terça, 12 de Março de 2013Acto Público da CDU – Coligação Democrática Unitária, Lisboa
Intervenção de Deolinda Machado, membro da Comissão Coordenadora da CDU
Segunda, 18 de Março de 2013Acto Público da CDU – Coligação Democrática Unitária, Lisboa
Intervenção de João Corregedor da Fonseca, membro da Intervenção Democrática
Segunda, 18 de Março de 2013Quero, em primeiro lugar, em nome do Partido Ecologista Os Verdes, saudar todos os outros elementos da Coligação Democrática Unitária – o Partido Comunista Português, a Intervenção Democrática e todos os independentes. E julgo ser tão importante afirmar que juntos fazemos da CDU uma coligação de corpo inteiro. E como este país precisa de projetos com verticalidade e de corpo inteiro!
Retomamos a CDU para as próximas eleições autárquicas e talvez seja importante, neste momento, responder sobre o que significa CDU, num momento tão particularmente difícil da vida do país.
CDU é, antes de mais, a confirmação da capacidade de união de esforços e de convergência da verdadeira esquerda.
A verdadeira esquerda pauta-se por valores de grande solidariedade e de grande generosidade. É por isso que a nossa convergência assenta num projeto político de dedicação e de empenho pelo desenvolvimento do país, pelo bem estar das gentes deste país e pela promoção da sua qualidade de vida. Não poderia ser outro o nosso objetivo central, não poderia ser outra a meta que nos move numa persistente ação diária. Somos e fazemos esquerda no dia a dia. Nunca traímos os valores de esquerda, nem somos de esquerda apenas quando convém. Somos esquerda por convicção. Está-nos no sangue, corre-nos nas veias esta vontade de construir uma sociedade onde a igualdade de oportunidades seja realidade, onde a justa repartição da riqueza combata a pobreza e gere dignidade de vida a todos, a todos sem exceção, com desenvolvimento da sociedade assente num património de interação de valores socias, ambientais e económicos.
Importa, então, dizer que nós não buscamos o poder pelo poder, não procuramos estratégias para ganhar a todo o custo e fundamentalmente não abdicamos de princípios e de projetos de desenvolvimento incompatíveis com este estrangulamento em que a Troika, e os partidos (PS, PSD e CDS) que com ela negociaram, nos envolveram nesta espiral de degradação social e económica que parece não ter limites.
Importa igualmente dizer, àqueles que são induzidos pelo facilitismo de não detetar diferenças, e talvez pelo cansaço sentido pela alternância entre PS e PSD, com a colaboração do CDS ora com um ora com outro, que é preciso perceber a diferença de atuação de forças políticas e que não somos todos iguais. E dizer que aqui há esperança!
Reconhecer-se-á, assim, que não é apanágio da CDU dizer uma coisa no plano autárquico e outra por exemplo na Assembleia da República. A coerência, a seriedade e a lealdade estão na nossa génese e são-nos reconhecidas, até por adversários políticos. Connosco não contem para reivindicar um projeto fundamental ao nível local e depois votar contra ele no Parlamento, como outras forças políticas fazem.
Reconhecer-se-á, também, que a CDU ganhou eleições em várias autarquias locais e que o que a caracteriza, na sua gestão autárquica, é a implementação desta política do bem estar coletivo, em tudo quanto se enquadra nas competências autárquicas, e a implementação deste projeto político de desenvolvimento das localidades numa promoção de infraestruturas, de equipamentos coletivos e de serviços que sirvam a população de forma íntegra e completa. E no que não se enquadra nas competências da autarquia, os autarcas da CDU assumem um poder de reivindicação, ao lado das populações, extremamente relevante e fator de pressão, designadamente junto do poder central, para a concretização de projetos de serviço e de apoio à população.
Gostaria também de salientar que, nos tempos difíceis que enfrentamos, a intervenção dos autarcas torna-se ainda mais relevante. O país não precisa de autarcas que desistam de projetos determinantes para as suas localidades porque, entre os interesses da população e os da Troika, fazem uma opção clara de submissão à Troika. O país não precisa de autarcas que sejam insensíveis ao aumento brutal de impostos, ao estrangulamento do tecido empresarial, à escalada do desemprego e da pobreza ou ao esvaziamento de localidades decorrente da emigração forçada. O país precisa de autarcas que tenham absoluta consciência do mal que a torturante austeridade faz às suas populações. O país precisa de autarcas que sejam porta-vozes das consequências desastrosas destas políticas, de delapidação económica e social, e de autarcas que se empenhem na luta contra estas opções políticas ferozes. De autarcas que se oponham à privatização da água; que se oponham ao aumento do IVA para a restauração; que confirmem que impor taxas de acesso a áreas protegidas é o mesmo que dizer que só quem pode pagar pode usufruir desses espaços naturais; que percebam o drama de uma lei das rendas que toma como objetivo central despejar inquilinos com incapacidades financeiras; que conheçam a dose de população que, desempregada, vive sem subsídio de desemprego; que percebam como os baixos salários são fator de encerramento de empresas; que testemunhem que os bancos, para os quais foi canalizado o dinheiro que o Governo diz não existir para apoiar atividade produtiva, onde foram injetados milhares de milhões de euros, não estão a ceder crédito às micro, pequenas e médias empresas; que tenham consciência de como o corte das reformas, o aumento dos custos do acesso à saúde ou o aumento do preço dos transportes joga idosos para as mais cruéis dificuldades; de como o alargamento da pobreza leva crianças com fome para as escolas e retira jovens do ensino.
Com uma Troika e um Governo da maior insensibilidade de que há memória, que nos remeteram para a maior recessão de que há memória, que geraram os níveis de desemprego mais avassaladores de que há memória, o país precisa de autarcas que não alinhem neste fosso desastroso e que tenham força, sustentados num projeto politico bem diferente, para gerar contestação e alternativa a este desastre. Por isso, Os Verdes dizem: o país precisa de mais CDU!
E a todos aqueles, vítimas deste empobrecimento social e económico, que também assistiram ao Governo e à Troika a roubar-lhes a sua freguesia, contra a vontade das populações, a todos aqueles que viram ser-lhes roubados o centro de saúde mais próximo, a escola, a esquadra de polícia, os CTT, e tantos outros serviços que deixaram de ser de proximidade, nós dizemos que é nas próximas eleições, as de maior proximidade, que também se deve dar uma resposta ao tanto mal que estão a fazer a este país. Penalizar eleitoralmente os aliados da Troika é uma resposta direta de negação a estas políticas que nos desgraçam. Dar força aos que insistentemente propõem um caminho alternativo de capacidade de gerar riqueza em Portugal é uma resposta direta a quem desgoverna este país.
Uma última ideia que considero importante partilhar: nós CDU queremos construir sociedade de forma plural, ao contrário daqueles que acenam a bandeira da democracia e depois querem absolutizar o poder quando defendem executivos camarários monocolores. A CDU não! A CDU defende pluralismo nos órgãos autárquicos, defende a transparência da gestão controlada por todas as forças políticas eleitas pelo povo, defende a participação de todos! Há quem remeta a transparência da gestão autárquica para a limitação de mandatos. É uma ilusão. A transparência da gestão autárquica faz-se dia a dia e não de três em três mandatos. Faz-se pela presença de pluralidade nos órgãos e por uma prestação de contas e justificação fundamentada de decisões a tomar às diferentes forças políticas e à população, de forma constante e leal.
Quando olharem para a CDU, e para os candidatos que lhe darão rosto nas próximas autárquicas, verão homens e mulheres enriquecidos de experiência de vida, iguais entre o povo, com gosto de participação e de construção pelo bem estar coletivo. Terão o currículo de uma vida de conhecimento real e concreto da realidade e transportam consigo o projeto da alternativa para uma sociedade, aos seus mais diversos níveis, local ou nacional, mais justa e plena para o seu povo.
Espera-nos um longo trabalho de esclarecimento! Contem sempre com a CDU!
Viva a CDU!


