Évora e o Alentejo

Carlos Pinto de Sá
E, apesar disto, é uma das regiões mais deprimidas e em perda como atestam alguns eloquentes indicadores:

  • 1/3 do território continental mas apenas 4,8% (±510.000) da população do país e cerca de 4,6% do Produto Interno Bruto;
  • Entre 2001 e 2011, perde mais de 7 pessoas por dia, tendência em agravamento;
  • Taxa de desemprego (1º trim/2013) de 18,5%, superior à brutal (e muito comedida) taxa nacional oficial de 17,7%.

A persistência deste quadro não se deve a qualquer fatalidade ou estigma do povo alentejano. As causas são claras: decorrem de políticas nacionais centralistas e recentralizadoras, ao serviço de grandes interesses económicos; decorrem de um sistema económico regional débil, desadequado, de grande inércia e profundamente injusto. Alguma da base económica instalada e alguns projectos que procuram romper com aquela lógica retrógrada e dar outra dinâmica à economia local e da Região não são integrados numa política e numa estratégia séria de desenvolvimento regional porque esse não é o interesse das políticas nacionais que sucessivos governos vêm, de há décadas, impondo ao país e ao Alentejo.
Àquela crise estrutural há que somar a devastadora crise agravada pelo Governo PSD/CDS e o que mais se perfila a curto prazo:

  • Pequenas e médias empresas em dificuldades, em risco ou a fechar;
  • Um risco de pobreza superior a 25%,
  • Milhares de despedimentos na função pública e o aumento geral do desemprego;
  • Mais cortes nos salários, nas reformas, nas prestações sociais;
  •  O aprofundamento da maior recessão económica acumulada, o aumento da dívida e, ainda assim, um défice orçamental que continua a render argumentos para o objectivo real que estas políticas perseguem: o empobrecimento generalizado para garantir uma distribuição do rendimento e da riqueza cada vez mais favorável à pequena minoria que, de facto, domina o país.

O Poder Local Democrático representa uma das mais fortes vozes que o Alentejo pode ter, pela legitimidade que lhe dá o voto popular. Podem os Municípios e as Freguesias assistir, conformados, à acelerada degradação económica e social do Alentejo e dos seus territórios? Podem os Municípios e as Freguesias limitar-se à gestão corrente e deixar-se embalar pelo canto da sereia dos que não querem beliscar as suas tutelas nacionais no poder ou por ele, alternadamente, ansiosas?
O Município de Évora tem, dada a sua dimensão e importância regional e nacional, uma responsabilidade acrescida de olhar o Alentejo e levantar a bandeira da defesa do desenvolvimento regional. Não numa perspectiva arrogante de líder mediático, antes em pé de igualdade com todos, numa posição humilde mas combativa de busca de uma plataforma reivindicativa e de proposta comum e consensualizada!
Cabe ao Município, também em defesa dos seus cidadãos e do concelho, exigir a criação de uma política nacional de desenvolvimento regional que defina objectivos estratégicos, que defina programas e projectos concretos, que identifique recursos (nomeadamente, da União Europeia e do Estado Português) que sustentem a estratégia, que assegure a monitorização e eficácia dos resultados.
Parece evidente apontar e mobilizar para um objectivo estratégico: travar e inverter o declínio económico da Região; travar e inverter a perda de população do Alentejo.
Precisamos de um Município que, em defesa do Alentejo e de Évora, lance pontes, proponha colaborações, avance propostas, tenha capacidade de diálogo e de construção de plataformas e projectos consensualizados para garantir o desenvolvimento do Alentejo em favor do seu Povo.
Carlos Pinto de Sá | 24.Junho.2013
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