Mistificações
Gustavo Carneiro
Ago 14, 2009
As mistificações são um poderoso obstáculo para aquelas forças, como o PCP e a CDU, que defendem que o País não está condenado à estagnação e ao atraso e que é possível, com uma política de esquerda, melhorar significativamente a vida dos portugueses e desenvolver Portugal. Mistificações que, criadas propositadamente, são veiculadas sucessivamente até que as pessoas acreditarem que, na verdade, pensam aquelas coisas.
Em tempos de campanha eleitoral (e em que o País atravessa uma situação dramática, por um lado, e que a luta de massas atinge níveis que há muito não se verificavam), as mistificações intensificam-se com o objectivo bem definido de condicionar o voto dos eleitores. Em várias direcções.
Um exemplo. Na recente entrevista de Jerónimo de Sousa à RTP, Judite de Sousa afirmou: «A questão é esta: José Sócrates ou Manuela Ferreira Leite.» Não pretendendo aqui sugerir que a conhecida jornalista é a autora desta mistificação, facto é que a veiculou (como aliás o faz o BE com o seu mais recente cartaz, como anotou neste espaço Vítor Dias).
As eleições legislativas não servem para eleger governos ou primeiros-ministros, mas sim deputados. E não é indiferente que, nomeadamente o PCP, tenha 5, 10, 20 ou 80 deputados, independentemente de quem for o primeiro-ministro ou o partido maioritário. Com esta mistificação, pretende-se, obviamente, reduzir o acto eleitoral a estes dois partidos – para, evidentemente, garantir a continuação da política que ambos têm vindo a praticar e a agravar, ora um ora outro, mandato após mandato.
A mesma Judite de Sousa confrontou o Secretário-geral do PCP com a possibilidade e o País ficar ingovernável ou instável na ausência de uma maioria absoluta seja de quem for… Outra mistificação, já que é da correlação de forças parlamentares – e não do vencedor das eleições – que nascem as soluções governativas.
Outro exemplo. Na apresentação do programa eleitoral do PCP, na passada terça-feira, um jornalista chamou a atenção para uma grave falha nesse documento: a ausência de uma referência a medidas de contenção orçamental, questão que qualquer governo inevitavelmente terá de dar prioridade nos próximos anos.
Ora, consciente ou inconscientemente, o que o jornalista estava a defender era a tão famosa redução da despesa pública. Como? Certamente, como até aqui, privatizando inevitavelmente serviços públicos e funções sociais do Estado; aumentando inevitavelmente os impostos sobre as famílias e sobre as pequenas empresas. Inevitabilidades como estas, repetidas até à exaustão, e que servem apenas aqueles que querem penetrar nos milionários negócios da saúde ou da educação (que é, já hoje, e à escala global, mais rentável do que a indústria automóvel) e que pretendem engordar os seus lucros à custa do empobrecimento generalizado de vastos sectores da população – o grande capital financeiro.
O mesmo jornalista, segundos depois, questionava a viabilidade da proposta, apresentada pelo PCP no seu programa eleitoral, de aumento do salário mínimo, até 2013, para pelo menos 600 euros. Uma impossibilidade, certamente, ainda para mais em tempos de crise... Talvez mais investigação jornalística ajudasse a trazer a lume algumas realidades: que, por exemplo, o peso dos salários no total do rendimento nacional não parou de diminuir em face dos lucros; que os quatro maiores bancos privados amealharam, de lucros, nos últimos quatro anos quase 7 mil milhões de euros e os três principais grupos energéticos mais de 7 mil milhões; ou ainda que o desemprego custa ao país (em subsídios e contribuições não pagas) mais de 20 mil milhões de euros por ano…
Estas e outras mistificações surgirão, com mais ou menos intensidade até às eleições. Cabe aos militantes comunistas, aos membros da CDU, com os seus meios – e que melhor meio do que a intervenção quotidiana? – desmistificá-las e divulgar o programa eleitoral do PCP e a visão profundamente luminosa que encerra para o futuro do País.
Em tempos de campanha eleitoral (e em que o País atravessa uma situação dramática, por um lado, e que a luta de massas atinge níveis que há muito não se verificavam), as mistificações intensificam-se com o objectivo bem definido de condicionar o voto dos eleitores. Em várias direcções.
Um exemplo. Na recente entrevista de Jerónimo de Sousa à RTP, Judite de Sousa afirmou: «A questão é esta: José Sócrates ou Manuela Ferreira Leite.» Não pretendendo aqui sugerir que a conhecida jornalista é a autora desta mistificação, facto é que a veiculou (como aliás o faz o BE com o seu mais recente cartaz, como anotou neste espaço Vítor Dias).
As eleições legislativas não servem para eleger governos ou primeiros-ministros, mas sim deputados. E não é indiferente que, nomeadamente o PCP, tenha 5, 10, 20 ou 80 deputados, independentemente de quem for o primeiro-ministro ou o partido maioritário. Com esta mistificação, pretende-se, obviamente, reduzir o acto eleitoral a estes dois partidos – para, evidentemente, garantir a continuação da política que ambos têm vindo a praticar e a agravar, ora um ora outro, mandato após mandato.
A mesma Judite de Sousa confrontou o Secretário-geral do PCP com a possibilidade e o País ficar ingovernável ou instável na ausência de uma maioria absoluta seja de quem for… Outra mistificação, já que é da correlação de forças parlamentares – e não do vencedor das eleições – que nascem as soluções governativas.
Outro exemplo. Na apresentação do programa eleitoral do PCP, na passada terça-feira, um jornalista chamou a atenção para uma grave falha nesse documento: a ausência de uma referência a medidas de contenção orçamental, questão que qualquer governo inevitavelmente terá de dar prioridade nos próximos anos.
Ora, consciente ou inconscientemente, o que o jornalista estava a defender era a tão famosa redução da despesa pública. Como? Certamente, como até aqui, privatizando inevitavelmente serviços públicos e funções sociais do Estado; aumentando inevitavelmente os impostos sobre as famílias e sobre as pequenas empresas. Inevitabilidades como estas, repetidas até à exaustão, e que servem apenas aqueles que querem penetrar nos milionários negócios da saúde ou da educação (que é, já hoje, e à escala global, mais rentável do que a indústria automóvel) e que pretendem engordar os seus lucros à custa do empobrecimento generalizado de vastos sectores da população – o grande capital financeiro.
O mesmo jornalista, segundos depois, questionava a viabilidade da proposta, apresentada pelo PCP no seu programa eleitoral, de aumento do salário mínimo, até 2013, para pelo menos 600 euros. Uma impossibilidade, certamente, ainda para mais em tempos de crise... Talvez mais investigação jornalística ajudasse a trazer a lume algumas realidades: que, por exemplo, o peso dos salários no total do rendimento nacional não parou de diminuir em face dos lucros; que os quatro maiores bancos privados amealharam, de lucros, nos últimos quatro anos quase 7 mil milhões de euros e os três principais grupos energéticos mais de 7 mil milhões; ou ainda que o desemprego custa ao país (em subsídios e contribuições não pagas) mais de 20 mil milhões de euros por ano…
Estas e outras mistificações surgirão, com mais ou menos intensidade até às eleições. Cabe aos militantes comunistas, aos membros da CDU, com os seus meios – e que melhor meio do que a intervenção quotidiana? – desmistificá-las e divulgar o programa eleitoral do PCP e a visão profundamente luminosa que encerra para o futuro do País.

