Um passo na ruptura com a política de direita
André Levy
Jun 10, 2009
Embora o escrutínio ainda não esteja finalizado, faltado apurar os votos Portugueses realizados no estrangeiro, os resultados apurados até à data já permitem tirar algumas conclusões marcantes sobre as eleições nacionais para o Parlamento Europeu:
1. Uma expressiva descida dos votos nos partidos de direita, face às eleições europeias de 2004. Se comparamos os votos conjuntos obtidos pelo PS e a aliança “Força Portugal” (PSD+CDS/PP), em 2004, com a soma do resultado destas três forças em 2009, vemos uma redução de cerca de 337 mil votos. Há caso para dizer que não houve só um voto de condenação da política de direita conduzida pelo Governo PS/Sócrates, mas uma derrota da política de direita como um todo. Embora não seja possível comparar directamente os votos do PSD nas eleições de 2004 e 2009, podemos constatar que a “Força Portugal”, em 2004, obteve menos votos que a soma da votação, em 2009, do PSD e CDS-PP. Embora, esta soma tenha crescido, as duas forças em conjunto não conseguiram o mesmo número de deputados conseguidos pelo PS em 2004 (mesmo tendo em conta a redução do número do círculo Português no Parlamento Europeu de 24 para 22 deputados). Por muito que o PSD queira vangloriar-se de ter “ganho” estas eleições, por ter obtido mais votos que o PS, a verdade é que as eleições expressam um derrota do “Bloco Central” e da política de direita.
2. Um expressivo crescimento das forças de esquerda, sendo muito significativo e motivo de satisfação, que a CDU tenha crescido em número de eleitores e tenha obtido a maioria de votos em vários conselhos do país, e que por uma margem relativamente pequena de votos não tenha eleito um terceiro euro-deputado. Este crescimento é sinal de insatisfação do eleitorado com a política de direita e de uma profunda vontade de mudança de rumo em Portugal e na Europa. uma expressiva. Contrariamente às hiperbólicas afirmações de comentadores, como António Barreto, o facto do Bloco de Esquerda ter ficado à frente da CDU não constitui um “marco histórico”. O BE terá sido o maior beneficiário de algum eleitorado PS, descontente com a conduta, à direita, do Governo Sócrates, e também beneficiado de um claro favorecimento da comunicação social, que tendeu sempre a obscurecer e silenciar a campanha da CDU. Esta campanha distingui-se pelo assentar no contacto directo com os trabalhadores e população, na mobilização de uma corrente por um rumo diferente para a Europa e Portugal, tendo em vista não só estas eleições, mas o futuro. De qualquer das formas, só um anti-comunismo visceral pode falar de uma derrota da CDU num contexto em que esta cresce em votação e se afirma como uma força e organização incontornável para uma efectiva mudança de rumo no país.
3. A nível europeu, há a registar um aumento preocupante do Partido Popular Europeu. O novo PE será dominado assim por forças de comprometidas com os grandes interesses económicos e financeiros europeus, com uma linha neo-liberal, com a crescente militarização da União Europeia, com o rumo federal da UE, e o com o ditames do Tratado de Lisboa. Tal trará grandes desafios, no PE, às forças opostas a este rumo, a favor de uma Europa de cooperação entre nações soberanas, e de paz com baseada no diálogo e não no intervencionismo militar.

