Os lucros da crise!
José Lourenço
Mai 31, 2009
Que o nosso país atravessa uma crise profunda, a maior das últimas décadas, já ninguém hoje duvida.
Até mesmo aqueles, como o Governo, que por razões meramente tácticas foram procurando adiar o reconhecimento da realidade, vêm agora cavalgar na crise afirmando que estamos perante a maior crise dos últimos cem anos.
Todos percebemos a razão deste tardio reconhecimento por parte do Governo, procurou-se desta forma imputar à crise internacional todas as culpas da crise que vivemos, procurando fazer com que os portugueses esquecessem que desde 2002 a nossa economia tem vindo a divergir do resto da União Europeia, crescendo a um ritmo médio anual inferior a 1%, menos de metade da média Europeia e, com a taxa de desemprego a duplicar entre 2001 e 2007 (passou de 4% para 8%), de tal forma que pela 1º vez no final de 2007 a taxa de desemprego em sentido restrito ultrapassou a taxa média de desemprego da União Europeia. Aliás é curioso assinalar, como prova inquestionável de que a crise no nosso país é muito anterior à crise internacional, que enquanto a taxa de desemprego no nosso país desde 2001 não parou de crescer até 2007, neste mesmo período nos outros países da União Europeia o movimento foi inverso, a taxa de desemprego veio descendo continuamente.
Chegados aqui à crise profunda que todos agora reconhecem, da oposição ao Governo, vale a pena constarmos a forma como ela se repercute na vida dos portugueses, sejam eles trabalhadores, micro e pequenos empresários ou grandes empresários.
Enquanto milhares e milhares de trabalhadores engrossam o exército de desempregados, de tal forma que é hoje quase consensual que o nº de desempregados em Portugal deverá rondar os 600 mil, enquanto milhares de micro e pequenas empresas vêem encerrando mensalmente, a consulta dos relatórios e contas dos principais grupos económicos permite-nos constatar os impactos da crise nestes grupos.
Se no 1º trimestre de 2008 os dezassete principais grupos económicos nacionais, da Banca, à Energia e Telecomunicações, do Comércio e Serviços, à Indústria e Construção Civil, apresentaram de lucros 1 368,5 milhões de euros, no 1º trimestre de 2009 e em plena crise profunda, estes mesmos grupos acumularam de lucros 1 172,2 milhões de lucros. Ou seja, uns perdem os empregos e vão para o desemprego, na maior parte dos casos sem se quer direito a subsídio de desemprego, outros vêem-se obrigados a encerrar as suas empresas por falta de apoios do Governo enquanto para outros, os grandes grupos económicos, os impactos da crise repercutem-se numa ligeira descida do escandaloso volume de lucros que indiferentes à crise, vão acumulando.
Perante estes valores é caso para dizer que as medidas de política que o Governo repetidamente vem anunciando estão a dar os seus resultados: o desemprego continua a subir, as micro e pequenas empresas vão à falência e os lucros dos grandes grupos económicos estão salvaguardados. Alguém ainda tem duvidas de qual o sentido do pacote de medidas que o Governo tem vindo a tomar?
Dia 7 de Junho, se os portugueses quiserem, pode iniciar-se o processo de profunda mudança na nossa sociedade. Assim nós consigamos esclarecer todos aqueles que têm sido ao longo dos últimos 33 anos manipulados pelo centrão (PS, PSD, PSD/CDS, PS/CDS), de que existe uma verdadeira alternativa a esta política, protagonizada pela única força de esquerda coerente e consequente, a CDU.

