Preciosidades
Gustavo Carneiro
Jun 10, 2009
No domingo, a CDU obteve um extraordinário resultado nas eleições para o Parlamento Europeu, ao atingir 10,66 por centos dos votos, naquela que é a sua maior expressão eleitoral desde há 15 anos (nas Europeias de 2004, alcançou 9,1 por cento); manter os seus dois eleitos, num quadro adverso, em que o País perdeu dois deputados; e ao ter sido a força mais votada dos distritos de Setúbal, Évora e Beja e em dezenas de concelhos, tendo aumentado a sua votação em todas as regiões do País.
Naquela que foi a sua maior votação em eleições para o Parlamento Europeu desde 1989 (que ano!), a CDU mereceu, no domingo, a confiança de quase 380 mil eleitores – um acréscimo de mais de 70 mil relativamente a 2004. Em minha opinião, esta é a questão mais importante. Porque não se fala apenas (nem fundamentalmente) de números e percentagens, mas de pessoas concretas, com as suas características e percursos diversos, com os seus sonhos, desejos e aspirações próprios – mas todas elas unidas pelo facto de terem confiado o seu voto à CDU.
É precisamente sobre este ponto que penso ser necessário reflectir um pouco. O que representa votar, hoje, na CDU? Qual o valor de um voto na coligação? Que barreiras e preconceitos é preciso derrubar para fazer esta opção?
Consciente de que a dificuldade em responder cabalmente a esta pergunta é directamente proporcional à impossibilidade de entrar no interior das cabeças destas quase 380 mil pessoas, arrisco algumas reflexões. Votar, hoje, na CDU é desferir um rude golpe no conformismo e na resignação. É rejeitar a inevitabilidade da perda de direitos, da redução de salários e pensões, do aumento da jornada de trabalho e da idade da reforma. É votar em quem não promete a salvação, mas garante que, juntos, na luta, é possível construir algo melhor.
A opção pela CDU não é apenas um «voto de prostesto». Sendo, também, uma escolha contra a política de direita do Governo PS e dos que o antecederam – que as forças que compõem a CDU combateram e combatem como nenhuma outra – é bem mais do que isso: é um voto de compromisso com um projecto de ruptura e de construção de um caminho alternativo para Portugal e para a Europa, baseado na valorização dos salários e dos direitos, na defesa da produção nacional, na garantia da soberania nacional.
Para muitos dos que votaram na CDU no domingo, tantos deles pela primeira vez, houve que vencer preconceitos de décadas e ultrapassar a avassaladora onde mediática que tão ostensivamente desvalorizou os seus candidatos, propostas e campanha (ao mesmo tempo que empurrava outras para cima, escandalosamente), vendo mais além.
Por isso, são votos preciosos, estes. Todos eles e não apenas os novos 70 mil. Porque os nossos votos nenhuma televisão nos dá. Conquistamo-los nós, um a um, no dia-a-dia da luta que travamos ao seu lado, nas empresas e locais de trabalho, nas escolas e universidades, nas cidades, vilas e aldeias do País. Uma luta que travaremos agora, todos juntos e com muitos mais que a nós se juntarão, com mais força, com mais confiança, com ainda mais determinação.

