Regina Marques
Set 13, 2009
Não se pode esquecer que os media são a arena onde lutam os produtores do acontecimento para influenciar o público. Os opinion makers, jornalistas e muitos ditos especialistas de várias áreas, nos seus comentários e opiniões tecem a arquitectura da orientação política. Como mediadores entre a realidade e o público, não é a dita verdade ou objectividade dos factos que transita para o público. O que transita é uma complexa teia de informações e concepções que eles têm da vida e do mundo.
A confusão entre informação, comentário, opinião, é cada vez maior. As linhas de fronteira entre a notícia, a reportagem e o comentário são ténues e isto interessa os detentores dos media e confunde os diferentes públicos. Este papel persuasivo dos media a que se juntam todos os dias as sacrossantas sondagens, é resultado e motor desta tendência neoliberalizante para a descompartimentação das instituições e sua pulverização. Este é um dado preocupante e é tanto mais inquietante quando se assiste nas instituições locais e globais a uma desregulamentação geral das estruturas e à menorização do papel da participação e da luta colectiva, sindical ou outra. É uma questão nova, com que estamos confrontados, tanto no plano institucional como também na própria reflexão e pensamento das pessoas. E isso obriga-nos a escalpelizar mais esta questão porque afinal o nosso mundo e a nossa visão do mundo é dia a dia influenciada, embora transitoriamente mas com muita eficácia.
Esta conversa vem a propósito do comentário que ouvimos logo a seguir ao debate sobre a política fiscal e finanças organizado pela TSF em que participaram MFL e JS. Depois de terem sido apresentados extractos das intervenções de MFL (que insistiu na contenção da despesa pública) e Jerónimo de Sousa que de forma precisa, quantificada e exaustiva mostrou como seria viável arrecadar mais receitas para o Estado, aplicando uma política fiscal justa, o comentador de serviço, dito especialista em finanças, resume a controvérsia entre os dois candidatos dizendo simplesmente "de um lado estão aqueles que podem vira a ser governo e por isso "usam de prudência e cautela nas propostas", e do outro, os outros que não podendo vira a ser governo fazem propostas "inexequíveis". A contenção de despesas e de investimento público seria então para o referido comentador o caminho natural já que a arrecadação de receitas é sempre pouco fiável. Claro está que nem tão pouco se referiu à correcção e à validade das premissas trazidas por Jerónimo de Sousa, porque da competência, seriedade e honestidade da reflexão nem achou interessante falar. Muito menos foi capaz de desocultar, para quem o ouvia na rádio, que a leitura da situação fiscal, feita pelos dois partidos, se fez e faz através de lentes e paradigmas que têm em si as marcas de classe, da classe que um e outro antagonicamente defendem.
Por isso o comentário esteve cheio de ideias preconcebidas, desligadas dos textos apresentados por ambos, vindas do terreno ideológico e político em que o próprio comentador se move, que mais não fez que importar informação sua para o debate em que os outros deveriam ser os protagonistas. Assim se gera e gerou mais informação distorcida e manipulatória.
Comentando sobre o comentário, com o direito que temos de o fazer, usando os nossos próprios óculos, diremos que, se continuarem as políticas fiscais preconizadas por MFL e Sócrates, continuarão a ser protegidos os poderosos banqueiros e a alta finança nacional e internacional, e penalizados os consumidores em geral. Manter-se-á a crise, o desemprego, a inqualificável distância de qualidade de vida e rendimentos entre um punhado de portugueses e a maioria do povo. Se, ao invés, com mais CDU, se fizer a ruptura necessária, aí temos Jerónimo de Sousa, o PCP e a CDU, com politicas económicas e fiscais que valorizam o investimento produtivo nacional, o emprego e uma tributação fiscal justa, para desenvolver o País, e não para encher os cofres daqueles que à sombra da globalização individualista e capitalista pulverizam os nossos recursos.
Veremos então quem pode e deve ser Governo! Ao povo, cabe a palavra e o voto esclarecidos.
Regina Marques
Set 01, 2009
Quando falha o sentido democrático na política: quem perde são os trabalhadores. É o desemprego, é a instabilidade, é a desmotivação. Mas perde o país, porque diminui a intervenção dos trabalhadores. Perdem os jovens e as mulheres, que não se sentem realizados. Perdem as famílias porque não tem as condições mínimas de subsistência.
São perdas económicas que se traduzem em números, pois o prejuízo anual para o país causado pelo desemprego calcula-se em 20 mil milhões de euros. Trata-se de um prejuízo com custos económicos directos, resultante da não arrecadação das receitas provenientes do trabalho e das despesas acrescidas com a segurança social ou outros subsídios.
O problema do desemprego em Portugal está a atingir uma tal gravidade com efeitos tão devastadores que não nos podemos ficar pelas estatísticas. Mas elas são importantes até para mostrar como são enganosas e servem de almofada às políticas do Governo.
O número oficial de desempregados, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística é de mais de 500 mil (507. 700 no 2º trimestre de 2009) e não inclui a totalidade dos desempregados, ou seja, todos aqueles e aquelas que procuram um primeiro emprego e que entretanto vão aceitando os recibos verdes e a precariedade como razão de sobrevivência. Ainda segundo o INE, o próprio desemprego oficial ter aumentado entre o 1º trimestre de 2009 e o 2º Trimestre de 2009, a nível do País, de 495,8 mil para 507,7 mil, contrariando uma vez mais a campanha propagandística de Sócrates, já agora alimentada pelos números controversos do IEFP, tutelado pelo Ministro do Trabalho, que quando o desemprego aumenta por todo o País, consegue-o fazer baixar nas estatísticas que publica.
Mas o desemprego traduz uma desastrosa opção política de desincentivo da economia nacional, de perda de competências e recursos, de indiferença face aos problemas humanos inerentes à situação de desemprego de qualquer cidadão, de qualquer trabalhador. Traduz políticas de investimento injusto e desigual a favor de meia dúzia de privilegiados.
O desemprego induz problemas de índole social e pessoal que não se contabilizam em números. Os efeitos do desemprego geram desencantos, desilusões, que naturalmente são terreno fértil para a abstenção da participação política, seja no voto, seja na participação cívica e na luta pela alteração da política, que tem que ser feita todos os dias. Induz também graves depressões, sentimentos de revolta e desespero.
Marx antecipava essa ligação do trabalho com a vida, dizendo que "o trabalho é a actividade vital própria do trabalhador, a expressão pessoal da sua vida… E esta actividade vital destina-se a assegurar os meios necessários á sua existência… (o trabalhador) trabalha para viver". Desta leitura queremos deduzir que quanto mais cresce o desemprego maior é o alheamento da polis e naturalmente menos democracia se respira. As coisas ligam-se. Não há democracia sem direitos, nomeadamente ao salário e ao emprego. Disso são responsáveis os mentores desta economia liberal - sejam do PS ou do PSD - e como tal devem continuar a ser penalizados.
De facto, em nossa opinião, o desemprego é seguramente o problema mais grave e que mais afecta as pessoas em Portugal. No entanto, o governo do PS continua a recusar alargar o subsídio de desemprego a mais desempregados, tal como propôs e propõe a CDU. Com esta medida, a vida seria melhor, para mais de 200.000 desempregados e respectivas famílias. È pela defesa da qualidade de vida dos trabalhadores e pela igualdade de direitos e de oportunidades que nos diferenciamos de outros. De facto, lutamos para sermos todos iguais, na vida social, pessoal e política. O que exige justiça social e democracia, o combate de sempre da CDU.
Regina Marques
Ago 19, 2009
O conjunto das propostas contidas no compromisso eleitoral do PCP e da CDU é uma base de trabalho indispensável para o contacto com as populações e com os trabalhadores, mas também com as grandes camadas da população, sedentas de soluções, e que estão votadas hoje ora ao ostracismo das políticas de direita, ou à sua descarada manipulação, como são por exemplo os jovens na sua infrutífera busca do primeiro emprego, as mulheres despedidas obrigadas a um indesejado regresso a casa ou os reformados a quem o Governo vai sempre acenando com uns míseros aumentos nas pensões.
O compromisso eleitoral do PCP garante um olhar sério e reflectido sobre a realidade do país nas suas dimensões locais e regionais e ao mesmo tempo conjuga e articula os grandes projectos estruturantes para um desenvolvimento sustentável onde as pessoas contam, onde se potenciam os recursos naturais e culturais e valoriza o potencial criador das populações e dos trabalhadores.
O desenvolvimento, o progresso, a inovação que propomos têm como princípios intrínsecos a resolução dos problemas do emprego, da saúde, do ensino e da educação ou da habitação e segurança das populações. Mas também está inerente a esse progresso a melhoria da qualidade de vida em geral num quadro de respeito por uma mais intensa vida democrática, em que se reconheça como pano de fundo fundamental a grande participação dos interessados na solução dos seus problemas específicos. Inerente ainda ao desenvolvimento que propomos, está o aproveitamento da investigação científica, técnica e cultural em torno das novas formas de produção, tornando-as mais eficientes e rentáveis. Enfim, o que propomos é um enriquecimento substantivo do tecido produtivo patrimonial e cultural nos planos nacional e regional, da agricultura ao turismo, para que se solidifiquem as relações de maior bem estar para todos, fazendo diminuir o tão escabroso fosso entre as regiões e entre os mais ricos e os mais pobres.
No Compromisso eleitoral do PCP estão consagradas as medidas concretas que as populações gostarão de conhecer e que nos cabe difundir com alegria e confiança. Não se trata de palavras vãs e desprovidas de conteúdo, ou simplesmente promessas copiadas de qualquer cardápio de "boas políticas". Quando o PCP e a CDU propõem medidas para aumentar os postos de trabalho isso pressupõe que é possível desenvolver políticas de aproveitamento da industria e da agricultura nacionais, com incentivos duradoiros ao investimento dos pequenos e médios industriais e comerciantes, com políticas de defesa dos produtos produzidos ou a produzir em Portugal e sua adequada e apoiada comercialização. O mesmo para a política do ensino, do básico ao superior… defendendo o investimento público na Educação com vista à qualificação dos portugueses, uma qualificação que não sejam os meros remendos, como está sendo por exemplo a política das novas oportunidades tão apregoada pelo 1º Ministro Sócrates… o que importa ao PCP é a elevação do nível escolar, a igualdade de oportunidades, afinal ter uma população esclarecida e competente para fazer face aos desafios, mostrando a cada momento o que quer, revelando o seu saber e o seu saber-fazer.
O que se pretende afinal com uma política de ruptura é mesmo um compromisso sério mas viável com a valorização da nossa cultura, do nosso património ecológico e humano, alargando urgentemente, no voto, a rede que tece ligações com o Portugal de Abril.
Fazer irradiar o nosso Compromisso é pois a tarefa da maior urgência.
Regina Marques
Ago 04, 2009
A proximidade entre os dois actos eleitorais, para a Assembleia da República e Autarquias, é um dos traços marcantes do actual panorama eleitoral que podemos potenciar. Pude comprovar no terreno, neste fim-de-semana, a justeza da orientação da CDU. Estamos todos e todas numa campanha com duas batalhas, onde as sinergias de uma campanha mobilizam e interagem para o bom resultado em ambos os actos eleitorais. Com o envolvimento e participação de centenas de candidatos e candidatas aos órgãos autárquicos, desde já para o êxito a 27 de Setembro, ganha o poder local a 11 de Outubro. Ganha a CDU.
Na apresentação dos candidatos da CDU às freguesias de S.Domingos e Vale da Amoreira no Distrito de Setúbal, foi um gosto ver como se tirou partido do conhecimento da realidade local e concelhia e do projecto colectivo da CDU, da concretização de uma obra que as populações reconhecem, para se projectar um futuro para o país, um futuro que, assente nos mesmos princípios, permita fazer a ruptura com as políticas de direita para que as populações possam viver melhor.
Foi um gosto ver a alegria e satisfação dos actuais eleitos das autarquias pela obra realizada num presta-contas ao ar livre, franco e aberto que, em consonância com o presta-contas dos deputados da CDU na Assembleia da República, no mesmo espaço, mostrou a ligação efectiva dos deputados com os autarcas e com populações, num projecto político que se reafirma global mas enraizado nas formas de convivência social e de trabalho em cada localidade, em cada região.
Foi um gosto ver a sintonia existente entre os candidatos e os anseios locais, com a necessidade de, no plano nacional, se dar força à CDU, defendendo políticas que valorizem os trabalhadores, os pequenos e médios comerciantes e industriais; políticas de esquerda que valorizem o tecido produtivo nacional - da industria à agricultura - e aproveitem e optimizem a produção nacional e os recursos naturais e humanos; políticas de esquerda para garantir a igualdade de oportunidades e de direitos; políticas para a igualdade entre mulheres e homens (Pese embora a propaganda do Governo PS, as remunerações médias das mulheres são inferiores em 25% ás dos homens); políticas que ponham fim às discriminações e acentuadas desigualdades sociais e regionais.
Foi um gosto ver a composição das listas. Mulheres e homens de todas as idades ligando experiências diversificadas e complementares. Muitos jovens. Gente activa e interveniente nos clubes e grupos culturais, nos sindicatos e nos partidos que compõem a CDU. Gente entusiasta e determinada.
A justeza do slogan é evidente. Para fazer mais no poder local não é indiferente o resultado das legislativas. Pelo ânimo que contamina mas também porque mais deputados da CDU na Assembleia serão sempre influentes porta-vozes do poder local democrático, sérios defensores da sua autonomia e do seu justo financiamento. Mais deputados da CDU estarão sempre do lado de quem trabalha e de políticas públicas de qualidade.
Das palavras, dos sorrisos, da presença dos candidatos e candidatas e das trocas afectuosas com as populações sentimos a predisposição e a confiança de que vamos mesmo trabalhar para vencer.
Regina Marques
Jul 22, 2009
Com uma capa de aparente democraticidade e voluntarismo parece que pegou a moda de grupos de cidadãos se dirigirem aos partidos. Foram os economistas na defesa de um modelo liberal, exigindo mais flexibilidade para despedir. Outros se seguiram com fórmulas do mesmo tipo para a cultura. Agora um novo grupo aparece preocupado com a família e exigindo dos partidos clareza sobre a protecção e defesa da família.
Como se fossem pessoas sem qualquer filiação partidária, actual ou remota, como se fossem pessoas de elevada e insuspeita cultura cidadã, como se fossem seres que nunca estiveram nos próprios centros do poder exactamente afectos a partidos, estes cidadãos que tantos manifestos têm endereçado aos partidos em vésperas de eleições, mostram exactamente a face de intransigência, imodéstia e desrespeito pela lei fundamental do país que consagra direitos fundamentais aos cidadãos - de se organizarem dentro e fora dos partidos, também eles parte intrínseca da sociedade civil.
Entre os assinantes deste manifesto - que dizem querer votar em liberdade - preocupados com a protecção da família estão deputados vinculados a forças partidárias, secretários de Estado e mesmo ministros de governos vários, de há 30 anos para cá, com graves responsabilidades no descalabro a que chegou uma grande parte das famílias portuguesas. Os docentes universitários, aparentemente mais distantes dos círculos de poder, alguns são ou foram conselheiros políticos das mais altas figuras do Estado em Portugal e na União Europeia e logo com larga possibilidade de influir nos destinos do País. Arrogam-se todos o direito de fazer recomendações aos partidos. Não ao Governo. Arrogam-se o direito de exigir dos partidos mas não pedem responsabilidades ao Governo quanto à pobreza e desemprego crescentes. Não se incomodam com os atropelos aos direitos dos portugueses com a aprovação de um Código de trabalho que retira o direito ao trabalho com direitos, flexibiliza o horário de trabalho, tornando mais incompatível a conciliação da vida dos trabalhadores com uma vida familiar, código que os partidos deles aprovaram e que o PCP reprovou. Não responsabilizam as políticas de precariedade dos empregos para homens e mulheres e para os jovens, a que eles próprios deram luz verde, impedindo os casais de assumirem a natalidade e livremente organizarem a sua vida. Não se incomodam se as mulheres trabalhadoras têm actualmente e sem ameaças de despedimento o direito de uma maternidade feliz e responsável, vivendo cabalmente a gravidez ou a assistência à família. Esta moda dos manifestos não é ingénua. O que estes magos pretendem é fazer crescer a onda do descontentamento contra os políticos e mormente contra os partidos, descredibilizar e desvirtuar a política, e por fim desmobilizar o sonho de igualdade na vida, levar ao descrédito quanto a uma possibilidade real dos portugueses terem uma vida melhor, se a opção política dos portugueses, no voto, tiver outro rumo.
Nada trazendo de proposta para a mudança real de política mais não são que formas ardilosas para esbater a força organizada dos trabalhadores, dos intelectuais, dos quadros técnicos, das mulheres, e de tantas camadas da população que exercem activamente a democracia participativa, intervindo e lutando para terem no dia a dia uma vida melhor e um futuro com segurança. Contrariamente às reivindicações silenciadas ou deturpadas do PCP, estes manifestos, de cinzentão espectro político, têm honras de acontecimento mediático. Por isso são muito perigosos! O voto na CDU dará a resposta a tão habilidosa campanha.
Regina Marques
Jul 09, 2009
A CDU tem na sua génese a força das mulheres na luta pela emancipação e a dignidade. Na luta pela igualdade de direitos. Na luta contra as discriminações com base no sexo. Na sua génese se construiu um forte movimento de mulheres que corporizou e deu ânimo a muitas e muitas batalhas pela participação das mulheres na vida política, na vida social e económica. Um movimento de mulheres, unitário, construído na base de mulheres de muitas profissões e identidades, mulheres sindicalistas, mulheres operárias, funcionária públicas, professoras e muitas mulheres donas de casa, empregadas domésticas ou empregadas de comércio que fizeram ao longo dos anos parte desse movimento de mulheres reivindicativo e interventivo. Um movimento reivindicativo que deu e dá força à CDU e alimenta a esperança porque as causas das mulheres são nobres e justas.
A CDU galvaniza e é força convergente de muitas mulheres para as batalhas eleitorais, por um voto eficaz pela melhoria das condições de vida, pelo direito à igualdade das mulheres na família. Um voto eficaz, que conta sempre, para a intervenção nas empresas, para a solidariedade com as causas próximas dos trabalhadores. Nos bairros, nas cidades e aldeias a CDU conta com as mulheres mobilizando, ouvindo e fazendo suas, as reivindicações pela resolução dos problemas locais, pela construção de infraestruturas que melhorem de facto a qualidade de vida das populações e, em particular, promovam as mulheres na sua dignidade. Por mais arruamentos, pelo abastecimento de água, pelo saneamento básico, pela melhoria das redes de transportes sempre as mulheres foram pioneiras na reivindicação. As mulheres trabalharam para a construção de escolas, infantários e creches para poderem conciliar a sua vida profissional com a vida de mulheres mães, sedentas contudo de participação activa na vida cívica, sindical ou cultural. Hoje mais do que nunca importa trazer esse potencial de entusiasmo para a nossa batalha, um entusiasmo que reforça a nossa luta.
Com a luta, muitas capacidades as mulheres adquiriram, capacidades que devem ser postas ao serviço de uma outra política. Um grande espírito de combatividade perpassou em amplas camadas de mulheres que de norte a sul fizeram greves e manifestações na defesa dos postos de trabalho e por uma profissão digna com direitos. Lutaram contra a feminização da pobreza, contra as violências no emprego e o assédio mas também a violência doméstica. Hoje o confronto das mulheres tem de ser contra as políticas vigentes e cujo responsável máximo é Governo do PS. O combate às políticas da globalização capitalista cujos reflexos são claros nos índices astronómicos da pobreza, mas também do aumento do tráfico e comercialização de mulheres para fins ilícitos, e no aumento da prostituição, nomeadamente com o incremento à prostituição em bares de alterne, é um novo combate que não dispensa ninguém. É um combate contra a degradação de valores das mulheres que também são filhas dos trabalhadores. A CDU na Assembleia da República e na Vida é a força coerente para corporizar as propostas políticas que ponham fim a estas novas formas de escravatura, porque de exploração humana abominável se trata.
Aproveitar o momento das eleições é fundamental para tomar posição. Não podemos ser indiferentes nem cair em bacocos pessimismos. Precisamos de estar confiantes. Confiar, é na CDU! Porque a CDU é força da esperança que tem sempre uma palavra de estímulo à participação das mulheres na luta pela dignidade, contra as discriminações e as desigualdades, algumas parecendo do passado estão hoje ou mais agudizadas ou com outras roupagens. Sim, Confiar na CDU vale a pena, porque a CDU é a força da esperança que ergue, em cada momento, a bandeira da igualdade como valor e como direito, e reconhece o valor acrescentado que representam as mulheres para a economia, para a política, para um desenvolvimento sustentável da sociedade.
Regina Marques
Jun 27, 2009
A grande derrota de Sócrates e do PS nas eleições europeias abre perspectivas para que tal derrota seja repetida nas próximas batalhas eleitorais. O descontentamento face às políticas seguidas durante estes anos manifestou-se de forma contundente.
Mesmo aqueles que não acreditavam no efeito do voto nas eleições europeias, para a alteração das coisas terão ficado convencidos que os resultados eleitorais, para qualquer eleição, são acima de tudo um escrutínio às políticas nacionais. Ficou claro logo na noite dos resultados que até o estilo se alterou. Alterou-se o estilo mas acima de tudo as exigências. Reparámos todos no mutismo de alguns e na arrogância de outros. O peso que se deu ao estilo, com a sonora controvérsia para saber quem é o ou a mais arrogante, parece ser a questão mais importante da actualidade mediática. De novo, e em torno de qualquer acessório, se pretende estabelecer a alternância PS ou PSD. Mas na verdade, o que reparámos todos foi como subiu o tom dos políticos da direita na exigência de travar os investimentos públicos, desde o TGV à ponte Barreiro-Chelas, ao Aeroporto e por aí fora…
Para nós, que lutámos pela regionalização, para nós que entendemos que o desenvolvimento do País passa pela criação de estruturas públicas dinâmicas e empenhadas nas regiões que mobilizem o poder local e os trabalhadores das regiões, para nós que perspectivamos a política na região de Setúbal voltada para o País, a região mais capaz de assegurar trabalho e trabalho qualificado, para nós, diremos, esta deverá ser a questão fundamental. De facto sem investimento público, e sem o domínio dessas alavancas ficaremos eternamente à mercê dos privados, que são quem menos se interessa se os seus lucros são arrecadados nas fábricas de Palmela ou da Coreia, ou de outra qualquer parte do mundo.
Não há nenhum sector que não esteja a ser atingido pelas ditas reformas do PS que não traduzem senão as encomendas dos sectores mais conservadores e as concepções mais retrógradas que, entretanto, são dominantes. Com os slogans desgastados de que somos todos responsáveis apelando cinicamente à responsabilização dos indivíduos e da sua livre iniciativa, o que pretendem é a destruição do sentido de Estado responsável, do sentido nobre da política para resolver com sentido universal o que é de todos. Na educação a situação é paradigmática desse Estado autoritário que controla e se demite das suas funções. As escolas não funcionam democraticamente, nem com a apregoada autonomia científica ou pedagógica, a autoridade democrática dos professores deixou de ter sentido, os estudantes estão endividados para poderem estudar, grande parte não consegue pagar as propinas, enquanto em nome da crise os mais variados desvarios se estão a cometer debaixo dos olhares negligentes dos poderes instituídos ou até com a sua conivência e cumplicidade.
A política que queremos e de que precisamos não é a política de cedência à direita que conhecemos e derrotámos. Essa politica de direita tem de continuar a ser combatida nas próximas eleições. Conseguido que foi pela direita esse sentido da desvalorização da política, para melhor reinar, ficou claro nas eleições europeias que nas zonas onde a politização é séria, onde o PCP tem maior implantação, onde se luta por direitos de há longas décadas, onde se construíram as mais belas e promissoras conquistas de Abril, a Reforma Agrária e as Nacionalizações onde as mulheres e os trabalhadores, vivenciaram pela primeira vez melhoria de salários e maior qualidade de vida, aí as pessoas votaram no PCP. Votaram os trabalhadores, os jovens. Votaram as mulheres trabalhadoras e não só, também as donas de casa e as reformadas. De novo, com insistência, o que importa é ter gente do PCP no poder, gente que trabalha e faz obra, com abnegação, sentido cívico e competência.
Regina Marques
Jun 03, 2009
Há quem propague a ideia de que são todos iguais e esse discurso fez caminho…Há quem repita que a CDU faz parte do passado e que há outras alternativas à esquerda mais modernas e atraentes. Felizmente, que somos, de vez em quando, surpreendidos com dados na imprensa que provam o contrário. Creio que nos servem para legitimar mais alto a nossa bandeira.
No domingo passado, um trabalho da jornalista Isabel Arriaga e Cunha, no Público, levou-nos a olhar para o produto do trabalho desenvolvido no PE pelos deputados portugueses. Não foi surpresa constatar que no panorama nacional os dois deputados da CDU foram quem mais relatórios apresentou, mais perguntas parlamentares fez, e mais intervenções produziu nos debates parlamentares, revelando uma extraordinária competência, capacidade e brilho, aliás por todos reconhecidos, naquele quadro de funcionamento complexo, como confere a própria jornalista. Surpresa foi a tão fraca participação de outros. Referimo-nos concretamente ao deputado do BE. A tal "vivacidade" e "modernidade" que alguns lhe atribuem, não se revelaram lá no PE. O deputado do BE não só não procurou respostas aos múltiplos problemas que esta política europeia provocou, como não demonstrou essa tão apregoada maturidade para fazer da política uma actividade em prol do País. Não há que hesitar, as provas aí estão! Não são nada todos iguais…
Assim como nem todas as mulheres, só porque o são, são iguais. Assumem políticas e objectivos bem diferentes. O voto na CDU serve para as mulheres reafirmarem a sua confiança num projecto que resulta da luta por uma política de respeito por Abril e da denúncia das políticas do PS que, entre outras malfeitorias, vulnerabilizaram a condição das mulheres, agravando mesmo as discriminações salariais e as segregações profissionais.
O voto das mulheres na CDU é o voto na combatividade pela igualdade de direitos e oportunidades, pela emancipação das mulheres no plano social, económico, cultural e político, o nosso sonho de sempre. Como se sabe é uma luta que vai durar e que exige mulheres e homens corajosos e ligados à vida, combativos e persistentes. Votar na CDU é também o voto do reconhecimento na força dos seus deputados que têm sabido energicamente e criativamente fazer do parlamento europeu uma tribuna de acção pela efectivação dos direitos das mulheres portuguesas e pela dignificação do seu estatuto de igualdade na vida familiar e social, na vida económica e política.
Assegurar que os votos da CDU não faltem é reconhecer a actualidade e a necessidade da CDU, como um projecto contínuo de intervenção e acção, com um programa alternativo, com as pessoas capazes de provocar a alteração que o País precisa.
Com a experiência que temos, não poderá ser o desalento a desmobilizar-nos. Votar na CDU é mostrar, de novo, que este projecto, que é popular e não populista, vale a pena. Há que dizer, mais alto, que a CDU constrói e inova porque radica a sua política numa incessante experiência de um colectivo inserido nos mundos a que cada um está ligado, que cada uma e cada uma vive e sente, com a maior intensidade e entusiasmo.
Regina Marques
Mai 21, 2009
Esteve recentemente em Portugal, um eminente economista americano - Joseph Stiglitz. Não disse nada que, entre nós comunistas, não estivesse já dito e equacionado. Mas, se ao nosso discurso e à nossa análise, os jornais, os comentadores, os especialistas fazem "ouvidos de mercador", não se cansando de repetir que não dizemos nada de novo e estamos ultrapassados, pelo menos alguns dos reparos deste Nobel da Economia merecem uma observação nossa, na medida em que podem ser um argumento de autoridade contra a ideia da extrema competência e grande notabilidade de quem nos governa e torna a pedir a maioria para governar. Há observações de Stiglitz que são também um contra-argumento sobre aquela peregrina ideia de que nós em Portugal temos uma crise, que vem de longe, vem doutro mundo, e que cá dentro não há responsáveis e que só há vítimas.
Segundo o Publico de 9 de Maio, jornal que muito esporadicamente releva um ou outro apontamento analítico dos comunistas, Joseph Stiglitz acusou o sistema financeiro norte-americano, adoptado pelos governos americano e da Europa, de ser o grande responsável pela crise, acrescentando que "a crise é o resultado da luta de classes contra os mais pobres". Através do facilitismo do crédito e da desregulação do mercado financeiro, o capital financeiro, com o apoio político dos governos, espoliou o dinheiro que restava aos mais pobres entre os pobres, sem que tal revertesse para o investimento produtivo gerador de riqueza. Stiglitz considerou inadequadas as medidas que estão a ser tomadas e preconizou políticas diferentes, defendeu a realização de investimento público e augurou que "a doutrina de direita sobre a forma como funciona a economia de mercado falhou completamente".
Particularmente em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu, não deixa de ser importante avivar a leitura que sempre fizemos desta dramática crise que encerra empresas em cascata, resultado de um crime económico sem paralelo. Um crime económico que destruiu a indústria nacional, condenou a agricultura e as pescas, não criou alternativas de gestação de riqueza nacional, e lançou no desemprego e na exclusão milhares de trabalhadores, homens e mulheres, com famílias constituídas, famílias inteiras que se vêm desprovidas dos mais elementares direitos e meios autónomos de subsistência. Um crime que obrigou o País a perder a própria independência alimentar e nos remete de novo para a emigração e para novas formas de discriminação e humilhação.
Quanto a nós, não é descabido o recurso à autoridade deste Nobel para provar mais uma vez a seriedade dos nossos argumentos e a actualidade da nossa doutrina, a coerência e a pertinência dos olhares que fazemos sobre a sociedade e a vida. Não é descabido reclamar a justeza dos nossos ideais e dos modelos de análise que usamos agora que estamos em cima de uma colossal crise social, gerada pela ganância desmedida que o sistema capitalista nos impôs, e que aprofundou abissalmente as desigualdades e as assimetrias.
Sendo certo que as relações económicas estão na base e são o cimento das relações humanas, e que só se houver justiça e direitos económicos poderá haver justiça social, cultural e humana, é bom que muitos cientistas sociais mostrem que afinal os comunistas não estão sós e que a sua análise não só é útil para prevenir as crises como é necessária para as ajudar a solucionar. Como sabíamos a crise foi gerada por algumas das mais "notáveis cabeças" que muito "competentemente" desenham o mapa dos destinos de milhões de pessoas. São os mesmos "sábios que elaboram e aprovam os planos e as cartas políticas estratégicas para Portugal e para os restantes países da Europa, traçam objectivos para os países mais pobres, com os efeitos que estão à vista.
Num tempo em que a linguagem usada provoca uma clamorosa confusão, importa mostrar que também na linguagem somos diferentes. Na política, como na vida, é pela linguagem que nos damos a conhecer. É por isso que no plano eleitoral dizer SIM à CDU é mostrar inequivocamente outra competência e outra notoriedade. Repescando um dos sentidos das palavras de Stiglitz, podemos dizer que com o voto acentuaremos a luta de classes. Sim, mas connosco será sempre "a favor dos mais pobres".